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TCLE: como escrever o Termo de Consentimento (modelo e erros)

Atualizado em 01/07/2026 · 9 min de leitura

O TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido) é um dos documentos mais avaliados pelo Comitê de Ética — e um dos que mais geram pendência. Ele registra que o participante entendeu a pesquisa e concordou em participar de forma livre e esclarecida. Este guia mostra o que o TCLE precisa conter (segundo as Resoluções CNS 466/12 e 510/16), como escrever em linguagem acessível e os erros que travam a aprovação.

Resumo rápido

  • O TCLE é obrigatório, salvo dispensa justificada e aprovada.
  • Linguagem acessível ao participante — nada de jargão técnico.
  • Riscos e benefícios do TCLE precisam bater com os campos da Plataforma Brasil.
  • Duas vias assinadas e rubrica em todas as páginas.
  • Menores/incapazes: responsável assina o TCLE + Assentimento.

O que é o TCLE (e quando é obrigatório)

O consentimento livre e esclarecido é um princípio da ética em pesquisa: ninguém participa de um estudo sem entender o que vai acontecer e sem concordar voluntariamente. O TCLE é o documento que formaliza isso. Ele é obrigatório em praticamente toda pesquisa com seres humanos. A dispensa é excepcional: precisa ser pedida e justificada ao CEP e costuma caber apenas quando não há contato com os participantes — por exemplo, estudos que usam somente dados secundários já coletados. Mesmo nesses casos, o CEP pode exigir garantias de sigilo.

Os elementos obrigatórios

A Resolução CNS 466/12 (item IV) lista o que o TCLE precisa conter. Traduzindo para a prática, o seu termo deve deixar claro:

  • Justificativa e objetivos da pesquisa, em poucas linhas e sem jargão.
  • Procedimentos: o que o participante fará, onde, por quanto tempo e quantas vezes.
  • Desconfortos e riscos possíveis — e as medidas para reduzi-los.
  • Benefícios esperados, diretos e indiretos (sem prometer resultados).
  • Forma de acompanhamento e assistência, inclusive responsáveis.
  • Liberdade de recusar ou retirar o consentimento a qualquer momento, sem penalização ou prejuízo.
  • Garantia de sigilo e privacidade, com uso dos dados só para os fins da pesquisa.
  • Ressarcimento de despesas do participante e indenização por eventuais danos decorrentes da pesquisa.
  • Contatos do pesquisador responsável e do CEP (endereço, telefone, e-mail), para dúvidas ou denúncias.

Como escrever em linguagem acessível

A regra de ouro: o TCLE é para o participante, não para a banca. Escreva como você explicaria a pesquisa a alguém fora da sua área.

  • Use frases curtas e a segunda pessoa (“você fará…”, “você poderá…”).
  • Evite siglas e termos técnicos; quando forem inevitáveis, explique entre parênteses.
  • Prefira “retirar sangue” a “coleta de material biológico por punção venosa”.
  • Deixe explícito que participar é voluntário e gratuito, e que recusar não traz qualquer prejuízo.

Menores e pessoas sem plena capacidade: TALE e Assentimento

Quando o participante é criança, adolescente ou não tem plena capacidade de consentir, quem assina o TCLE é o responsável legal. Mas o próprio participante também precisa concordar, na medida da sua compreensão: para isso existe o Termo de Assentimento (às vezes chamado TALE), escrito de forma ainda mais simples e adequada à idade. Em pesquisa com crianças, é comum o CEP exigir os dois documentos.

Assinatura, vias e pesquisa online

O modelo tradicional prevê duas vias — uma para o participante, outra para o pesquisador — assinadas e com rubrica em todas as páginas. Em pesquisas totalmente online, a Resolução CNS 510/16 admite formas de registro adequadas ao meio digital (por exemplo, aceite eletrônico), desde que garantido o esclarecimento e a possibilidade de o participante guardar uma cópia. Descreva no projeto como o consentimento será obtido e registrado.

Os erros de TCLE que mais geram pendência

  • Linguagem técnica ou copiada do projeto acadêmico.
  • “Sem riscos”: nenhuma pesquisa é isenta de risco — descreva os reais, mesmo mínimos.
  • Riscos e benefícios diferentes dos campos preenchidos na Plataforma Brasil.
  • Faltar indenização, ressarcimento ou o contato do CEP.
  • Não prever Assentimento quando há menores.
  • Prometer benefício direto que o estudo não garante.

TCLE e a Plataforma Brasil andam juntos

O que você escreve no TCLE precisa ser coerente com os campos de Riscos, Benefícios e número de participantes do cadastro — uma divergência entre os dois é pendência quase certa. Veja como preencher cada etapa no guia da Plataforma Brasil e a lista completa de pendências do CEP e como evitá-las.

Se quiser adiantar o preenchimento, o PreenchePesquisa lê o seu projeto e devolve cada campo da Plataforma Brasil já formatado, apontando o que precisa bater com o TCLE — com um diagnóstico grátis antes de qualquer coisa. A ferramenta assiste; a avaliação é sempre do Comitê de Ética.

Perguntas frequentes

Preciso de TCLE em pesquisa com questionário online?

Em regra sim. A CNS 510/16 permite o registro do consentimento por meio digital, mas o participante ainda precisa ser esclarecido e poder guardar uma cópia.

Posso usar um modelo pronto de TCLE?

Um modelo ajuda com a estrutura, mas o conteúdo tem de refletir a sua pesquisa (procedimentos, riscos, benefícios reais). Muitos CEPs têm um modelo próprio — verifique o do seu comitê.

Quem assina o TCLE de um menor de idade?

O responsável legal assina o TCLE, e o menor assina o Termo de Assentimento, adaptado à sua idade e compreensão.

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Envie seu projeto e o PreenchePesquisa devolve cada campo da Plataforma Brasil já preenchido e formatado, pronto para copiar e colar — com o checklist do que falta.

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